6 de fev de 2017

Aula de Antropologia - Ubiratan Teixeira


Aula de Antropologia - Ubiratan Teixeira
2014, 17 de janeiro

A bichinha desmunhecou naquele gesto tão peculiar de delicadeza e sestro, descangotou a cabecinha ornada de lindos caracóis, revirou os olhinhos caramelados e disparou a chispa ferina em direção à “colega”: “Fresca…”
— Eu, hem, retrucou a outra (ou o outro?) com sua voz delicadamente aflautada. Já passei desse estágio primário faz tempo, oh!!! – e estalou os dedinhos de unhas caprichosamente manicuradas.
Estaquei minha machidez àquela altura, bloqueei todos os preconceitos guardados até alo sobre o assunto e convidei os dois – ou as duas – para um colóquio de esclarecimento ali mesmo no bar ao lado.
— Limonada ou Guaraná Jesus?
— E quem es tu por acaso, figura, indagou um deles.
— Alguém que escreve para jornal e pesquisador.
— E o que é que nós temos com isso?
— É que me interesso pelo assunto da homossexualidade; estou inclusive escrevendo uma tese, menti.
— Olha, benzinho, homossexual é o termo genérico, escutou? A partir do despertar do desejo, dependendo do nível econômico, da origem da bicha e do meio social em que vive, o gay recebe sua titulação conveniente.
— De verdade a gente começa tudo no grau da frescura, cortou a outra; uma espécie de estágio inicial.
— Ah, bicho, tem um monte de outras coisas incluindo a questão genética, herança sexual, atuação dos hormônios e sem-vergonhice consentida.
— Pois é. Aí com o passar das experiências, com o requintamento da atividade, com o polimento da arte e o ralar dos anos (aí fiquei sem saber como grafar esse anos; se deste modo ou com U) vamos subindo os degraus da viadagem até atingirmos o clímax.
— Tá; mas muitas ficam no meio do caminho, interrompeu a outra que roía as unhas nervosamente.
Bichas, qualhiras, pederastas, sapatões, virago, frescos, veados, baitolas e seus derivados regionalistas, milhares de designações para identificar um mesmo predador, relacionei mentalmente; apenas e exclusivamente homossexuais que não são uma “classe” nova na sociedade racional, consultem os documentos da nossa Antiguidade e me digam quantos reis e imperadores romanos ou muitos antes deles usaram osfio-fó para devaneios sexuais ou parque de diversão? Hoje segundo a frente barroca de qualificação da espécie, apenas um sério grupo natural de disseminação da AIDS: no que não concordo. Conheço aidético que contraiu o padecimento escovando os dentes.
Mas não é sobre o AIDS, esse moderno monstro apocalíptico que pretendo discutir; mas sobre os qualhiras do meu dia-a-dia cada mais envolventes, mais frescos e mais sofisticados; que os vejo com bons olhos, no seu modo específico de serem ternos e atenciosos e na sua forma peculiar de serem ousados.
E nem vejo como nem por que discriminar o homossexual, nem por que vê-lo como aberração da natureza ou     como um grupo de conflito social ou marginal da espécie. A mãe natureza que é tão sábia e douta é a única que pode entender por que dotou também nossa espécie com exemplares hermafroditas.
O homem e a mulher; o homem mulher; a mulher homem; sexo em orgia e para o deleite do corpo; a orgia do     corpo: orgasmo.
Os anjos não têm sexo; a criança, como sentimento, é assexuada, os velhos perdem o sexo, os extremos se tocando, o pecado e a virtude em nível de entendimento e sabedoria: tudo muito puro.
E nem sei por que de repente comecei a falar sobre este polêmico assunto que é a terceira visão da vida sexual da espécie humana. Será por que estou em conflito de saúde? Ou por que um Homem no Supremo Tribunal Federal recheando-se de coragem e consciente de seu dever cívico decidiu dar um basta em nossa caótica vida pública e está mandando para as grades desvairados depredadores de nossa economia. Ou por que está mudando o conceito de virtude e de repente me lembro dos grandes veados da historia da humanidade que construíram o planeta e também pensaram numa vida racional original e limpa de impurezas?
O sexo não é impuro; pela via que for ou pelo condimento que tiver. Deus, na sua infinita grandeza comporta em si, sem aviltação e com toda pureza a face feminina e a masculina.
Quer experimentar, leitor? Experimente; solte a franga vá e dê. E depois me conte.

São Luís do Maranhão, 17 de janeiro de 2014
Fonte:http://gruponsgraca.blogspot.com.br/2015/09/TribLiv-i030.html

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