13 de fev. de 2022

Parlatório: Carnaval, sem carnaval!

 Carnaval, sem carnaval!

O carnaval atravessa os séculos incólume. Com ou sem pandemia, crise ou desvios financeiros ele continua firme forte e sassariqueiro no Brasil inteiro. Em todos os cantos. Afinal é a festança-símbolo deste país-continente. A danada da folia segue seu destino de colocar o rei na pele de mendigo e o mendigo nas vestes de um rei. Todo mundo dançando conforme a musica. Qualquer que seja a música.

O bom do nosso carnaval é que ele se encaixa bem justo no caráter do brasileiro. Cheio de galhofas, amante das farofas, pronto para os deboches, e se duvidar, ainda pode saborear um brioche. 

Em nossa ilha-Capital o alcaide já firmou a pena: nada de desfiles, de passarela, e nem mesmo pra ser visto da janela. A pandemia, assim como o espírito zombeteiro do Fofão, não acabou.

Então, para glória de Dionísio (o Deus, claro!) a folia pode até ser magrela, mas quem duvida que ela vai dar seus esbregues? Nas perifas, nas praias ou nas chiqueiras salas dos condomínios dos barões acasalados. Aliás o carnaval desta nossa esburacada ilha-Capital dá as caras desde o 26 de dezembro, principalmente pelas ruas e ladeiras do bairro carnavalescamente divino: a Madre Deus.

E quem pensa que carnaval é ofensa, blasfêmia das fêmeas, dos machos e todes mais, não custa nada lembrar que o carnaval nunca foi, nem nunca será um festival de profanidades, simplesmente porque nasceu de um ritual divino, o rito está na gênese da festa. 

Mas, para este ano, ainda pandêmico, deve-se lembrar ainda mais das máscaras, e não só as carnavalescas. Destas é bom que seja dito que, nos últimos anos, a principal e mais representativa máscara destes nossos ilhéus tem sido escanteada: O Fofão!

Sim, o Fofão, nosso personagem-símbolo já está inaugurando seu nome na lista dos animais em processo de extinção. Por que isso? Porque nesta ilhota magnética e carnavalesca, o colorido e espalhafatoso personagem começa a saltitar pelas ruelas e becos desde o dezembro. E isso, já não tem acontecido mais.

Até o momento, não tenho visto nenhum artista, ou um pequeno grupo destes, aqui de nossa pequenópoles ligar microfones virtuais bradando: Cadê o Fofão? (LR)

Publicação simultânea com o portal Parada do Saber:

 


Eu, etiqueta – Carlos Drummond de Andrade

 

Em minha calça está grudado um nome

que não é meu de batismo ou de cartório,

um nome… estranho.

Meu blusão traz lembrete de bebida

que jamais pus na boca, nesta vida.

Em minha camiseta, a marca de cigarro

que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produto

que nunca experimentei

mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido

de alguma coisa não provada

por este provador de longa idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,

minha gravata e cinto e escova e pente,

meu copo, minha xícara,

minha toalha de banho e sabonete,

meu isso, meu aquilo,

desde a cabeça ao bico dos sapatos,

são mensagens,

letras falantes,

gritos visuais,

ordens de uso, abuso, reincidência,

costume, hábito, premência,

indispensabilidade,

e fazem de mim homem-anúncio itinerante,

escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.

É doce estar na moda, ainda que a moda

seja negar minha identidade,

trocá-la por mil, açambarcando

todas as marcas registradas,

todos os logotipos do mercado.

Com que inocência demito-me de ser

eu que antes era e me sabia

tão diverso de outros, tão mim-mesmo,

ser pensante, sentinte e solidário

com outros seres diversos e conscientes

de sua humana, invencível condição.

Agora sou anúncio,

ora vulgar ora bizarro,

em língua nacional ou em qualquer língua

(qualquer, principalmente).

E nisto me comprazo, tiro glória

de minha anulação.

Não sou – vê lá – anúncio contratado.

Eu é que mimosamente pago

para anunciar, para vender

em bares festas praias pérgulas piscinas,

e bem à vista exibo esta etiqueta

global no corpo que desiste

de ser veste e sandália de uma essência

tão viva, independente,

que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora

meu gosto e capacidade de escolher,

minhas idiossincrasias tão pessoais,

tão minhas que no rosto se espelhavam,

e cada gesto, cada olhar,

cada vinco da roupa

resumia uma estética?

Hoje sou costurado, sou tecido,

sou gravado de forma universal,

saio da estamparia, não de casa,

da vitrina me tiram, recolocam,

objeto pulsante mas objeto

que se oferece como signo de outros

objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim, tão orgulhoso

de ser não eu, mas artigo industrial,

peço que meu nome retifiquem.

Já não me convém o título de homem.

Meu nome novo é coisa.

Eu sou a coisa, coisamente. 

Carlos Drummond de Andrade ANDRADE, C. D. Obra poética, Volumes 4-6. Lisboa: Publicações Europa-América, 1989.

Fonte: https://www.pensador.com/frase/MjAyODM0/

8 de jan. de 2022

Parlatório: 2022, seu novinho!

2022, seu novinho!

Bem vindo, seu danadinho. E já aqui estou eu, estreando este novo parlatório. Que seja satisfatório, e lúcido! Que seja um espaço de contribuições e reflexões, para um mundo melhor. Que esta parada do saber não estacione e espalhe boas ideias, e emoções!

O novo ano começou em nossa abençoada ilha-Capital. Debaixo d’águas, sem foguetórios. Sem aglomerações. Sem mais, nem menos. Para muitos, ou poucos, a listinha de novos atos, atitudes comportamentais, e outros quetais, já é bastante volumosa e, quanto mais, antigona.

A ilha continua esburacada, esfoliada e mal interpretada. Nos palcos e nos porões dos palácios. Aliás, por aqui, temos mais palácios que nobres. Muitas falácias e pouca atenção aos pobres. Por isso, uma ilha-Capital. Cada vez mais ilha; cada vez mais Capital. Cuja pobreza funciona como uma pena, decapitando muitas esperanças da gente sem posses; empanturrando de moedas os porquinhos dos pouquíssimos endinheirados. Por aqui, as platitas continuam nas mãos de poucos e muito longes das palafitas.

Em nossos becos e escadarias o sobe-desce é do povo em busca do ovo, da páscoa, do vôo do pássaro do sonho diário, de pão e felicidade. O povo, esse sagrado sacrifício da humanidade rumo a evolução. Esse contingente de gente pronta pra apontar o caminho, que as tais elites, em seus deleites, ignoram solenemente.

Esse povo que se faz presente, e povoa o tempo das civilizações, nem tão civilizadas quanto deveriam. Ele está firme, em qualquer lugar. E aqui. Pelo centro histórico, e suas histórias, seu personagens, suas vidas. Pelas periferias, palafitas, penínsulas que nem isso são porque são apenas uma ponta da areia esticada ao mar. Deste emaranhado Maranhão que tudo que faz é sobreviver. Que, como um gato, ou um boi, tem mais de sete mil vidas para viver. (LR)

Publicação simultânea com o portal Parada do Saber

20 de nov. de 2021

VI Semana Imperatrizense de Teatro-Encontro Reflexivo 1

VI Semana Imperatrizense de Teatro

Encontro Reflexivo 1 - realizado na sexta-feira, 19/11.
Os criadores da Semana: Cláudio Marconcine, Lio Ribeiro, Gilberto Freire de Santana e Marcelo Flecha discutiram as circunstâncias, meandros e transformações da produção teatral na década e meia que a mostra perpassou o fazer teatral no estado do Maranhão.

Os Encontros Reflexivos serão nos dias 19, 21, 23, 25 e 27/11, às 20h, através do canal do YouTube da Pequena Companhia de Teatro.

Durante a semana de 19 a 28 de novembro de 2021, na realização da VI Semana Imperatrizense de Teatro, a programação objetiva ser uma mostra e diálogo da produção teatral no estado do Maranhão. 
A programação é diversa. Desde propostas para o atual momento a gravações de espetáculos existentes antes da pandemia ou ainda adaptações, dada a necessidade de ser visto e de sobreviver. 

5 de nov. de 2021

5 anos sem Aldo Leite

5 de novembro: 5 anos da morte de Aldo Leite

Ator, Mestre, Dramaturgo. 
Um dos grandes do Teatro brasileiro! Evoé!!!
Vida e obra do artista estão no Filme "No palco com Aldo Leite" de Inaldo Lisboa.

23 de out. de 2021

VI Semana Imperatrizense de Teatro-Inscrições Abertas

A Pequena Companhia de Teatro, através da Lei Aldir Blanc, convoca todes para participarem na VI Semana Imperatrizense de Teatro.

As inscrições são aceitas até o dia 7 de novembro de 2021, através de formulário eletrônico.

A programação será no período de 09 a 28 de novembro de 2021, através do canal do YouTube da Pequena Companhia de Teatro.

Podem participar pessoas físicas e jurídicas, que tenham trabalhos teatrais produzidos a partir do ano de 2018 (gravados em arquivos de vídeo) e que sejam maranhenses ou radicados no Maranhão há pelo menos 5 anos.

Inscreva-se em: https://forms.gle/HJb9uxLNFrLwcWA4A

29 de set. de 2021

Dia da Literatura Maranhense


Foto: reprodução/internet

Lei institui o Dia da Literatura Maranhense

Na terça-feira (28/09) a Assembleia Legislativa do Maranhão votou e aprovou o projeto de Lei que institui a data de 10 de agosto como o Dia da Literatura Maranhense, de autoria do deputado estadual Marco Aurélio(PC do B).

A data escolhida é alusiva ao dia de nascimento do poeta maranhense Gonçalves Dias, autor dos poemas “Canção do Exílio” e "Y-Juca Pirama". A data foi uma sugestão do professor Dino Cavalcante, do curso de Letras da UFMA. 

“O dia 10 de agosto é um dia simbólico para todos os maranhenses que amam a sua literatura. Primeiro: foi o dia que nasceu, em Caxias, o maior poeta do século XIX, Antônio Gonçalves Dias, autor de Primeiros Cantos, com a Canção do Exílio. Segundo: foi o dia que 12 intelectuais fundaram a mais antiga instituição literária do Maranhão, a Academia Maranhense de Letras, liderada por Antônio Lobo” justifica o professor da UFMA, Dino Cavalcante.

Fonte:https://depmarcoaurelio.blogspot.com/2021/09/aprovado-projeto-de-lei-que-institui-o.html

27 de ago. de 2021

Lançamento: livro “Vozes do Anjo” relata duas experiências de comunicação popular e comunitária em São Luís

A formação do Anjo da Guarda, bairro localizado na área Itaqui-Bacanga, em São Luís, tem muitas personagens e fatos marcantes. Parte dessa História é contada no relato sobre duas experiências de comunicação registradas no livro “Vozes do Anjo: do alto-falante à Bacanga FM”, que será lançado nesta sexta-feira, 27 de agosto, a partir das 19 horas, na igreja Nossa Senhora da Penha.

Denominado “Rádio Popular”, o sistema de som em alto-falante ou “voz” foi criado em 1988 com a participação de religiosos católicos, lideranças comunitárias do bairro, artistas, jovens, mulheres e homens atuantes nas pastorais sociais.

A “Rádio Popular” funcionou durante 10 anos, até 1998, quando a comunidade dialogou sobre a criação de uma emissora FM. E assim surgiu a rádio comunitária Bacanga FM 106,3 Mhz, em pleno funcionamento e completando 23 anos de existência nesse ano de 2021.

O livro “Vozes do Anjo: do alto-falante à Bacanga FM” costura a criação do bairro às duas emissoras. 

Fonte:https://edwilsonaraujo.com/2021/08/25/lancamento-livro-vozes-do-anjo-relata-duas-experiencias-de-comunicacao-popular-e-comunitaria-na-area-itaqui-bacanga/

Canção do Mundo Imperfeito - Zeca Baleiro

Canção do Mundo Imperfeito - Zeca Baleiro

Eu trago nos ombros o peso do tempo
E a voz do passado murmura o luar
Eu vejo as flores do ipê, venta o vento
E as estrelas caem no colo do mar
Eu cruzo as estradas que ergui sem asfalto
As aves no alto, voando pro céu
Eu ouço um cego cantar na memória
E os cães da minha alma descansam ao léu
Eu sonho com um mundo sem gritos
Mundo imperfeito feito cantar
Eu quero crer que o tempo é justo
Que a dor não nos matará
Eu miro a janela no alto edifício
Arranhar o céu sem poder alcançar
Os dias são brancos, as noites escuras
O fim não tem hora de ser, mas será
Os gestos de amor, o susto dos fracos
Consolo do triste, seguir, caminhar
A voz que eu ouço é a da tempestade
Mesmo a natureza reclama, chora
Eu sonho com um mundo sem gritos
Mundo imperfeito feito cantar
Eu quero crer que o tempo é justo
Que a dor não nos matará
Eu sonho com um mundo sem gritos
Mundo imperfeito feito cantar
Eu quero crer que o tempo é justo
Que a dor não nos matará
Eu pergunto à nuvem ligeira
Quando o sol vai chegar
Piso as folhas ao pé do caminho
Ainda aprendo a esperar

22 de ago. de 2021

Dicas para conservar melhor seus livros

15 dicas para conservar melhor seus livros

Já pensou que tomar alguns cuidados simples com a sua coleção de livros é essencial para evitar marcas, manchas e outros danos? Adotar as dicas abaixo ajudará seus livros a sobreviverem melhor ao tempo.

1 – A melhor posição para guardar seus livros é em uma estante, na vertical, sem pressioná-los muito entre si. Colocar um volume sobre o outro na horizontal danifica os livros da pilha em função do peso exercidos pelos demais.

2 – Ao retirar um livro da prateleira, puxe-o pelo meio da lombada.

3 – Ao manusear seus livros, procure sempre estar com as mãos limpas.

4 – Pelo menos uma vez por semestre, passe um pano macio, limpo e seco nos seus livros. Para limpar o pó acumulado na parte superior de cada volume, você pode utilizar um pincel de cerdas grossas. Aproveite para folheá-los, pois isso ajuda o papel a respirar.

5 – E por falar em limpeza, você pode limpar a sua estante com um pano levemente úmido, mas evite utilizar produtos abrasivos. Lembre-se de sempre esperá-la secar totalmente antes de colocar os livros de volta.

6 – As orelhas do livro não foram feitas para marcar páginas – na verdade, elas protegem os cantos da capa e da contracapa contra dobras ou amassos. Para evitar que as orelhas e o miolo fiquem danificados, opte por um marcador de páginas tradicional.

7 – Também evite, em especial, usar clipes de papel para marcar páginas, pois eles podem enferrujar e manchar as folhas.

8 – Tente não esquecer papéis, folhas secas e outros objetos dentro dos seus livros. Qualquer um desses itens pode gerar marcas e manchas com o passar do tempo.

9 – Não escreva em folhas de papel sobre os livros, pois a pressão do lápis ou da caneta irá marcar a capa ou as páginas em definitivo.

10 – Deixe um espaço entre os livros guardados na estante e a parede para protegê-los da umidade.

11 – Não deixe seus livros expostos à luz do sol. Esse cuidado evita que eles desbotem.

12 – Comer enquanto lê não é uma boa ideia – os farelos acumulados entre as folhas atraem insetos.

13 – Ao transportar seus livros de um lugar para outro, use uma capa protetora de tecido para garantir que ele permaneça intacto.

14 – Evite encapar seus livros: além de não permitir que as páginas respirem, alguns materiais (como o papel pardo, por exemplo) favorecem o aparecimento de manchas.

15 – Evite abrir os livros em brochura totalmente, em ângulos superiores a 180º, para evitar rachaduras na lombada e o descolamento das páginas.

Você tem algum outro cuidado com os seus livros? Compartilhe conosco nos comentários!

Fonte:https://www.taglivros.com/blog/15-dicas-para-conservar-melhor-seus-livros/

6 de jan. de 2021

A Coisa - Mario Quintana

 A Coisa

A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.
- Mario Quintana, in: Caderno H, (1945-1973), Porto Alegre: Editora Globo, 1973.
Foto/ilustração: Mario Quintana, por Aradium