8 de out de 2012

Era uma vez...

ERA UMA VEZ…


A Literatura Infantil educa divertindo…
Dinacy Corrêa
Ensaio de Literatura Infantil, numa panoramização diacrônica, do tema, partindo do geral para o particular (origens e primórdios, trajetória evolutiva), do universal para o nacional, o local…

A preocupação em escrever para crianças é até relativamente nova, entre nós. Apesar de as histórias orais, contadas à noite, junto ao fogão, desde os tempos mais remotos serem uma das bases mais importantes da formação de muitos dos nossos autores, como Graça Aranha, Coelho Neto e outros, apenas a partir deste século os escritores se interessarão pelo gênero, sobretudo depois de Monteiro Lobato. Ainda hoje a Literatura Infantil luta pela sua firmação. (Jacyntho José Lins Brandão)

Era uma vez, a infância nos idos da história da Educação e no contexto das civilizações mais antigas – quando a humanidade ainda não abrira os olhos para as questões da pedagogia e da psicologia infantil, e a criança era simploriamente vista como um ser humano em miniatura… Tempos em que não se educava, mas adestrava-se, o infante, visando a um fim determinado, segundo os interesses dos adultos. Em Esparta, forjava-se o guerreiro; em Atenas, o intelectual (a deparar-se com Homero e outros aedos, Esopo, os poetas…). Em Roma (dado o espírito prático de um povo voltado mais para as atividades da guerra, da engenharia e da política, despertando, tardiamente, para a literatura), o interesse pela educação infantil só vai despontar quando Quintiliano (30?-95 dC) se faz ouvir em suas Instituições Oratórias (12 livros), exortando (no primeiro livro) à formação da criança, logo a partir do seu nascimento, à transmissão de noções compatíveis a sua idade, discorrendo sobre alfabetização e ensino-aprendizagem da leitura, antecipando-se, remotamente, à moderna pedagogia. Mais tarde, Plutarco (50-120dC, grego da Queronéia, Beócia, mas ali fixado no tempo do Imperador Adriano), no seu Tratado de Educação das Crianças, vem atribuir à mãe toda a responsabilidade pela educação do menor, devendo esta, para tanto, estar competentemente instruída. Continuando/complementando Plutarco, São João Crisóstomo (Antioquia, 340/Capadócia, 407) divide com o mestre (o preceptor) as atribuições da genitora, exaltando, a grandes alturas, a tarefa de educar.

E transcorrem os séculos… No trânsito dos Seicentos para os Setecentos, Comenius (Jan Amos Komensky – Moravia, 1593/Amsterdam, 1671), concebendo, como Sócrates, que o homem peca por ignorância e abraçando, do Mestre, o princípio do “conhece-te a ti mesmo”, postula, em sua Didática Magna, que “Ensinar é a arte de todas as artes” e que “a escola deve ser atrativa”, exortando, enfim, a “todos que têm a missão de formar homens sejam conscientes desta dignidade e expandam esforços para atingir fim tão sublime1”. Entretanto, a Rousseau (Jean Jacques, Genebra, Suíça,1712/Ermenonville,1778) cabe o mérito da descoberta da criança, tendo sido o primeiro a reivindicar-lhe os direitos psicológicos, aventurando-se na sondagem da alma infantil, despertando o educador para uma realidade até então despercebida, tornando-se, pois, referência indiscutível nos estudos pedagógicos que o precedem. Não obstante, que o diga Bárbara Vasconcelos de Carvalho2, “só a Psicologia Infantil, nos fins do Século XIX, com seus primeiros estudos científicos de ordem experimental e suas primeiras pesquisas técnicas, vem adentrar-se na alma infantil, captando-lhe as reações”…

O certo é que, sob o enfoque sempre renovado da psicopedagogia (Montessori -1870/1952, Piaget – 1896/1980…), a criança se vai dando a conhecer, visibilizando-se, em sua inerência, à luz do estudo refletido, monopolizando domínios específicos das Ciências e das Artes (Psicologia da Criança, Pediatria, Música, Literatura, Teatro…), vindo a merecer, ao longo de um continuado périplo espácio/temporal, sua literatura específica, seu dia consagrado (12 de outubro) seu estatuto de direitos…

 Fiquemos com essa “literatura específica”, ora perspectivando-a, numa rápida abordagem, evocando-a, em sua gênese histórica… como num tributo a essa, digamos, sublime alteridade (espelho mágico de nossa transitória condição humana), na sua breve passagem pelo “mundo da imaginação” e da fantasia, a ressoar, hoje e sempre, no coração de quem “já foi criança um dia”… e viajou no sonho das Mil e uma noites, no tapete mágico do Era uma vez…

 Da Literatura Infantil: como, quando, onde…

Em termos institucionais3(no terreno da Educação e sob a égide da Escola), pode-se dizer, tudo começou na França, do século XVII (2ª. metade) – quando se instaura a Monarquia Absoluta de Luís XIV (o Rei Sol) e se verifica uma crescente preocupação com a educação infanto-juvenil, cabendo a essa modalidade literária (coadjutora da Pedagogia, na função lúdico-educativa do ensinar divertindo e divertir ensinando, agradando e informando), um papel importante no processo. A criança, então, já se fazendo perceber como um ser diferenciado do adulto, com necessidades e características próprias (num contexto social onde se classificava em dois tipos: a abastada, orientada por preceptores e que lia os clássicos greco-latinos e a menos abastada, que lia/ouvia histórias de cavalaria e aventuras), deveria receber uma educação preparatória de sua vida futura.

 A propósito, como observa Zilberman4, antes do estabelecimento de um modelo familiar burguês, desconsiderava-se a criança, em sua respectiva faixa etária, como um período diferenciado, tanto quanto o seu mundo, como um espaço separado. Maiores e menores participavam de eventos comuns, mas sem qualquer estreitamento dos laços afetivos. A nova valorização dessa fase da vida “gerou maior união familiar” (ainda que, “igualmente, os meios de controle do seu desenvolvimento intelectual e a manipulação de suas emoções”). Assim, Literatura Infantil e escola, “inventada a primeira e reformada a segunda, são convocadas para cumprir esta missão”…

Compendiando lendas e fábulas ancestrais (Esopo, Fedro), recriando contos folclóricos populares, figuram como obras pioneiras, nesse domínio, as Fábulas (1668/94) de La Fontaine (Jean de, 1621/95), Os Contos da Mãe Gansa (l691/7), de Perrault (Charles, 1628/1703), os Contos de fada (8 vols.1696/9), de Mme. d’Aulnoy (Marie Catherine le Jumel de Barneville,1650/1715) e Telêmaco (1699), de Fénélon (François de Salignac de la Mothe,1651/1715). Embora não se tratando, ainda, de uma produção tecnicamente infantil, é nesse século, o XVII, que surge, entre os autores5, a intenção de escrever para crianças.

Endereçada aos pequenos, essa arte da palavra-imagem, que se faz reconhecer numa sociedade aristocrática, de refinado espírito Clássico, nos timbres Seiscentistas da estética barroca, cujos requintes e riqueza de imaginação tanto agradaram as crianças, constitui a grande novidade do Século XVII – quando a França é considerada o reinado da fantasia e Perrault o mago desse reino. Mas, se essa França de Perrault é a precursora desse gênero, (aqui no Ocidente), ela não deteve a exclusividade do mesmo: paralelamente, o fenômeno se vai desenvolvendo também na Inglaterra, onde se dá a sua grande difusão.

Já no século XVIII (considerado a idade de ouro da Literatura Infantil), com o aperfeiçoamento do livro – favorecendo a reprodução das obras, e a colocação destas no mercado livreiro – e sob os influxos de Rousseau, a Literatura Infantil vai tomando novos rumos. Os contos de Perrault continuam a fazer sucesso, mas ao lado de novas adaptações, que vão surgindo, de romances de aventura, como Robson Crusoé (1719) de Daniel Defoe (1659/1731) e Viagens de Gulliver (1726) de Jonathan Swift (1667/1745), para citar os mais populares.

O século XIX (período de afirmação da Literatura Infantil), por sua vez, traz ao mundo ficções marcantes que, desafiando o tempo, imortalizam autores como Júlio Verne (1828/1905), Emílio Salgari (1862/1911), James Fenimore Cooper (1789/1851), Josefh Rudyard Kipling (1863/1936), Mark Twain (1835/1910), Edgar Rice Bourraughs (1875/1850)… por sinal muito lidos aqui no Brasil, contribuindo na formação das nossas crianças. O final da centúria, marcado pelo desenvolvimento da indústria, com seus problemas e conflitos, já vai inspirando uma nova mentalidade, que se faz denotar em narrativas de caráter e ideologia social. Emílio Salgari e Zola Baccini são, dentre muitos, que tendem à universalização de seus temas e mensagens, apontando para o realismo da época.

 Nesse horizonte, há que se destacar os famosos Irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm – Alemanha 1785/6-1859/63) e o impagável Hans Christian Andersen (Dinamarca – 1805/75), que correm mundo, com seus maravilhosos Contos, definindo-se, a partir de então, o tipo de leitura preferido das crianças: as estórias fantásticas –

 entrando nessa linha, também, autores como Lewis Carol (1832/98) em Alice no país das maravilhas (1863), Collodi (Carlo Lorenzo, 1826/90) em Pinóquio (1883) e James Barrie (1860/1937) em Peter Pan (1911), entre os mais apreciados.

 Enfim, no trânsito para o Século XX, utilizando-se de recursos originais, integrados à estética em vigor, os autores apresentam-se com obras de acentuada crítica social. O príncipe feliz, de Oscar Wilde (1856/1906), encerra, em seu notável simbolismo, uma sátira delicada e de fino humor, enquanto O pequeno príncipe, de Exupéry (1900/44), satiriza mais poética, filosófica e humanamente, num estilo autobiográfico e memorialista, a sociedade de todos os tempos e povos, sem esquecer aqueles que se dedicaram, tanto à novelística de fundo histórico como à de espírito aventureiro ou popular, ou ainda às derivadas das novelas de cavalaria, carregadas de romantismo ou de um realismo humanitário – Walter Scott, Victor Hugo, Eugène Sue, Alexandre Dumas, Stevenson, Jack London, Charles Dickens, Condessa de Segur, Louise Mary Alcot, Eleanoe H. Porter… num filão interminável, incluindo mesmo os portugueses, como Almeida Garrett (O romanceiro - 1843/5), Alexandre Herculano (Lendas e narrativas – 1851), Adolfo Coelho (Contos populares portugueses – 1879), Tomás Pires (Contos populares recolhidos da tradição oral do Alentejo – 1919), Guerra Junqueiro (Contos para a infância – 1877), Gomes Leal (História de Jesus – para as crianças lerem – 1883), Antero de Quental (Tesouro poético para a infância,1883…). E para que este não venha a se tornar um exaustivo roteiro de leitura, vamos passando, também num rápido olhar, para a nossa

 Literatura Infantil brasileira

Aqui no Brasil, as coisas vão acontecendo mais tardiamente, a partir do final do século XIX para começos do século XX e já nos albores da República – embora todo o século XIX, a partir de 1908, com a implantação da Imprensa Régia, tenha sido esporadicamente visitado por obras destinadas a crianças, sendo estas, por excelência, traduções de publicações européias, portuguesas, em sua maioria. Ouçamos, a propósito, Marisa Lajolo e Regina Zilberman6, que se pronunciam a respeito, nos termos a seguir:

 “Como sistema regular e autônomo de textos e autores postos em circulação junto ao público, a história da literatura brasileira para a infância só começou tardiamente, nos arredores da Proclamação da República, quando o país passava por inúmeras transformações. [...]. Era a República que chegava, trazendo consigo e legitimando a imagem que o Brasil ambicionava agora: o de um país em franca modernização”.

Um conjunto de novidades vão repercutir na vida sócio-cultural brasileira daquela época, tais como: a relação com países europeus industrializados (Inglaterra), a criação e o desenvolvimento do nosso mercado interno, um processo mais intenso de formação de cidades (urbanizando aceleradamente a paisagem rural – fins do século XIX), os movimentos abolicionistas que surgem e se vão firmando, a crescente transformação da mão de obra escrava em assalariada, com a migração estrangeira… “Gestam-se aí as massas urbanas que, além de consumidoras de produtos industrializados, vão constituindo os diferentes públicos, para os quais se destinam os diferentes tipos de publicação feitas por aqui: as sofisticadas revistas femininas, os romances ligeiros, o material escolar, os livros para crianças7”, analisam as autoras, apontando o lançamento bem sucedido da revista Tico-tico, em 1905 (de longa permanência no mercado editorial e importância máxima na construção do imaginário infantil nacional), como um atestado de que o Brasil de então “já se habilitava ao consumo da hoje chamada indústria cultural”. Entretanto (ainda segundo as referidas autoras), até 1880, circulavam, aqui no Brasil, praticamente, apenas as traduções do Cônego Christophe von Schimid: O canário (1856), A cestinha de flores (1858) e Os ovos de Páscoa (1860). E nesse universo de traduções e adaptações, frize-se, nomes como Carlos Jansen, Figueiredo Pimentel e João Ribeiro não podem ser olvidados… O primeiro, verteu e adaptou para o português os Contos seletos das mil e uma noites (1882), Robson Crusoé (1885), Viagens de Gulliver (1888), As aventuras do celebérrimo Barão de Münchhausen (1891), Contos para filhos e netos (1894), D. Quixote de la Mancha (1901); o segundo, os clássicos de Grimm, Perrault e Andersen, divulgados nos Contos da Carochinha (1894), nas Histórias da avozinha (1896), assinadas por ele e editadas pela livraria Quaresma; o terceiro, encarregou-se do livro italiano Cuore, de d’Amici (1891), e dos que constituíram, a partir de 1915, a coleção da Biblioteca Infantil Melhoramentos, sob a coordenação de Arnaldo de Oliveira Barreto.

 Enfim, encantando o mundo da criança, vão erguendo suas vozes escritores brasileiros como: Antonio Marques Rodrigues (maranhense) – O livro do povo, por sinal “o primeiro livro brasileiro de grande repercussão no âmbito escolar8” (1861); Abílio César Borges – O método Abílio (1868); Meneses Vieira – O amiguinho Nhonhô 1882); Hilário Ribeiro – Série instrutiva (1882); – Júlia Lopes de Almeida e Adelina L. Vieira – Contos infantis (1886); Felisberto de Carvalho – Livros de leitura e série didática – (1890); Romão Puiggari – Coisas brasileiras (1893); Arnaldo de Oliveira Barreto – Cartilha das mães (1895); Francisco Viana – Leituras infantis (1900); Olavo Bilac e Coelho Neto – Contos pátrios (1904); Viriato Corrêa – Era uma vez (1908) Olavo Bilac e Manuel Bonfim – Através do Brasil (1910); Júlia Lopes de Almeida – Histórias da nossa terra (1910), Era uma vez (1917); Tales de Andrade – Saudade (romance – 1919).

Na poesia, tivemos: Zalina Rolim – Coração (1893) e Livro das crianças (1897 – em parceria com João Köpke); Olavo Bilac – Poesias infantis (1904); Francisca Júlia e Júlio da Silva – Alma infantil (1912). Vão surgindo, também por essas alturas, as antologias folclóricas e temáticas, como: Antologia nacional (1895), de Fausto Barreto e Carlos de Laet, A festa no céu (1910) de Arnaldo Barreto, Ramon Roca e Teodoro de Morais; Livro das aves (1914) de Presciliana D. deAlmeida; A árvore (1916), de Júlia Lopes de Almeida e Adelina Lopes Vieira; Os nossos brinquedos (1909), Cantigas das crianças e do povo e Danças populares (1916), Provérbios populares, máximas e observações usuais (1917), de Alexina de Magalhães Pinto.

Tantos livros, tantos autores… Mas ainda faltava aquele, inspirado a criar uma literatura brasileiramente autêntica, viva, e ao mesmo tempo universal… Apelos nacionalistas e pedagógicos não faltavam, num cenário ainda marcado por obras estrangeiras. E eis que surge o esperado: Monteiro Lobato, em 1921, com A menina do nariz arrebitado (2º. Livro de leitura para uso das escolas primárias) – celibrizando-se, nacionalizando/universalizando, popularizando a literatura infantil brasileira com uma obra composta por 29 histórias (que se sucedem e se integram em 17 volumes), dentre as quais 32 são originais e sete, adaptações de Perrault, Grimm, e Lewis Carol.

E a proliferação de obras, nessa área, continua, no Brasil dos anos 30, 40… ao longo de todo o século XX, enfim. Quem sabe, possamos ainda, numa outra oportunidade, panoramizar esse percurso… Por enquanto, vejamos

  Como vai a nossa literatura infantil maranhense?…

 Aqui entre nós, mesmo com os poucos incentivos, os descasos para com o setor Educativo (de cujo coração promanam as obras para crianças e jovens), esse campo das letras tem sido produtivo, marcando, mesmo, presença nacional e com foros de pioneirismo (!!)… Modéstia à parte, como dizem os entendidos lá fora, em termos de literatura nacional, “tudo começou aqui”; “tudo saiu d’aqui” (e quem tenha dúvidas é só investigar essa história)… Na literatura infantil, isso também é verificável, senão ouçamos:

“Cronologicamente, o primeiro livro brasileiro de grande repercussão no âmbito escolar foi o Livro do povo, escrito pelo maranhense Antonio Marques Rodrigues (1826/73). Segundo Sacramento Blake, sua 1ª. Edição é de 1861 (em tiragem de 4 mil exemplares, impresso na Tipografia Frias, São Luís Maranhão). Durante mais de vinte anos, em reedições sucessivas, foi lido por várias gerações em todo o Nordeste9”.

Formado em Humanidades (Portugal) e Direito (Olinda, Pe.), Marques Rodrigues foi professor do Liceu Maranhense, deputado provincial, poeta abolicionista, colaborador assíduo, na Imprensa (sob os pseudônimos de Sancho Testaff e Rufo Salero). No prefácio do livro, ele declara seu objetivo: “satisfazer uma grande necessidade de nosso ensino primário”, “uniformizar os livros de leitura, popularizar a história do Salvador do Mundo10”…

E mais, como foi dito acima, em 1904, o maranhense Coelho Neto, em parceria com Olavo Bilac, edita os seus Contos pátrios. Em 1905, com a criação do Jornalzinho Tico-tico, Humberto de Campos e Josué Montelo também incursionam por esse mundo da imaginação alada, com a publicação de suas versões de textos clássicos da literatura infantil. Josué Montello (1917), por sinal, merece um destaque especial nesse tear literário, com os quase dez títulos de sua criação original: O tesouro de D. José (1944), As aventuras de Calunga e Bicho do Circo (1945), A viagem fantástica (1946), A cabeça de ouro (1949), As três carruagens e outras histórias (1979), Fofão, Antena e o Viralata inteligente (1980).

Outros maranhenses continuam contribuindo, na atualidade, nesse tipo especialíssimo de tecido literário: Nascimento de Moraes Filho (Azulejos – poesia) Lenita de Sá (A filha de Pai Francisco) Ribamar Feitosa (A Serra do Sincorá – conto – e Criancice – poesia), Alberico Carneiro Filho (O reisinho da fuzarca – inédito, mas premiado em concurso promovido pela Biblioteca Pública Infantil Viriato Corrâa).

Entretanto, nossa estrela de primeira grandeza é o ainda insuperável Manuel Viriato Corrêa Baima do Lago Fº. (1884/1964), autor de extensa obra didática e paradidática (A Balaiada, História do Brasil para crianças…), de quem nos veio um dos best sellers da literatura infantil brasileira: Cazuza (1838) – reeditado em 1984, quando do 1º. centenário de nascimento do autor). Antes, esse maranhense, ativo representante do magistério, da magistratura, do jornalismo, além de teatrólogo e escritor renomado, já publicara, em colaboração com João do Rio (João Paulo Coelho Barreto –1881/1921), Era uma vez (1908), coletânea de recriações de estórias brasileiras e européias, como O sapo no céu, O feiticeiro Merlino, O peixinho encantado, O besourinho… Em sua considerável produção literária, Viriato demonstra a sua preferência pelas fábulas folclóricas e pelos temas históricos, sem declinar do objetivo de ensinar divertindo e exaltando sempre a infância e o Brasil… E o limitado espaço da página nos impõe a ir ficando por aqui (que nos desculpem a prolixidade; assunto é o que não nos falta)…

REFERÊNCIAS

ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil. Gostosuras e Bobices. 5a. ed. São Paulo: Scipione, 1991.

ANCELES, Maria da Conceição Alves (orientanda); CORRÊA, Dinacy Mendonça (orientandora). Teares da Literatura Maranhense: panorama da nossa literatura infantil. Projeto de pesquisa (Monografia-TCC de graduação em Letras). São Luís: UEMA, 1997.

ARROYO, Leonardo. Literatura Infantil Brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 1974.

BANBERGER, Richard. Como incentivar o hábito da leitura. 5a ed. São Paulo: Ática, 1991.

BRANDÃO, Jacinto José. Presença maranhense na literatura nacional: prêmio Universidade Federal do Maranhão. São Luís: SIOGE, 1979.

CAMPEDELLI, Samira Youssef. Literatura; história e texto. Vol. 3. São Paulo: Saraiva, 1994. 384p.

CARVALHO, Bárbara Vasconcelos de. Compêndio de Literatura Infantil. 3a. ed. São Paulo: IBEP, 1955.

COELHO, Nelly Novaes. Panorama Histórico da Literatura Infantil/Juvenil. São Paulo: Ática, 1991.

COMENIU, João Auros. Trad. ABRE-MERHY, Nair Fortes. Didática Magna. Rio de Janeiro: Simares, 1954.

CORRÊA, Dinacy Mendonça. Era uma vez. São Luís: Suplemento Cultural & Literário JP: Guesa Errante, Ano IV, n. 117, 12 de outubro de 2005.

CORREIA, Viriato. Cazuza. 23a. ed. São Paulo: Companhia Nacional, 1974.

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GÓES, Lúcia Pimentel. Introdução a Literatura Infantil e Juvenil. 2 ed. São Paulo: Pioneira, 1991.

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MEIRELLES, Cecília. Problemas da Literatura Infantil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

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 1 In: Didática Magna. Trad. de Nair Fortes Abu-Merhy. Rio de Janeiro:Org. Simões, 1954, p.15.

2 In: Compêndio de Literatura Infantil. São Paulo:Ibep, s/d., p. 14.

3 Segundo Menendes Pelayo (Orígenes de la novela) nossa literatura dita infantil, ocidental, deita suas raízes nas mais remotas fontes orientais do Conto: a fábula, o apólogo, donde Callila e Dimna (surgida provavelmente na Iíndia, Séc V aC) é tida como a mais antiga coletânia de narrativas que estão nas origens da Literatura popular européia.

4Literatura infantil na escola. 5a. ed. São Paulo:Global, 1995, p. 23.

5Vale lembrar que esses Clássicos populares, da L.I., são de autoria anônima, repassados pela tradição oral, de geração para geração e recolhidos/reunidos, em volume escrito, por esses estudiosos do folclore, como Perrault, Grimm, Andersen… os quais, tendemos a pensar serem seus verdadeiros autores.

6 In: Literatura Infantil – voz de criança. 2ª. Ed. São Paulo:Ática, 1992, p. 24.
7 Idem, ibidem.
8 Diz Nelly Novaes Coelho em Panorama da literatura infantil-juvenil . 4ª. ed. São Paulo; Ática, 1991.
9 COELHO, Nelly Novaes. Op. Cit., p.208.
10 Apud Coelho, id.ibid.

Fonte: http://blog.jornalpequeno.com.br/dinacycorrea/2012/07/20/era-uma-vez/





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