26 de nov. de 2012

Empreendorismo Criativo Sustentável



Três conceitos para o empreendedor dos novos tempos

Raul Perez
Entre os dias 15 e 18 de outubro, o Cemec realiza o curso Empreendorismo Criativo Sustentável, coordenado pelo pesquisador independente, filmmaker, consultor e conferencista - entre outras coisas - André Martinez. As aulas aprofundam uma série de conceitos elaborados ou aprofundados por Martinez, entre eles, a Análise Dinergética -  análise de forças opostas, que podem gerar harmonia e constituir uma energia criadora e transformadora nos empreendimentos.
O intuito é preparar empreendedores para uma nova dinâmica da sociedade, onde valores como a competitividade, o individualismo e o uso irracional de recursos naturais são substituídos por colaboração, inovação e visão sócio-sustentável. Martinez topou desvendar alguns dos temas que serão abordados em aula. Confira:
Ecologia sociocultural
"Ecologia sociocultural é um neologismo que eu elaborei a partir de um conceito um pouco mais amplo, a Ecologia Integral, que vê o ser humano e o ambiente que ele habita como uma unidade orgânica autogerada e auto-organizada, um organismo vivo no qual tudo está interconectado e fluindo. Inserida nessa perspectiva, a ecologia sociocultural compreende as ideias e as formas de pensar, imaginar, emocionar, linguajear e agir humanas como ponto de partida para a articulação da sustentabilidade e continuidade da espécie. Romper com o pensamento reducionista, cartesiano e mecanicista, e gerar novos feedbacks psicossociais, é a única forma de assegurar o futuro para as próximas gerações." 
Sustentabilidade como modelo mental
"[A sustentabilidade como modelo mental] Não por meio de valores morais isolados de uma compreensão mais ampla e abrangente, mas a partir da reorientação do que nos inspira, nos instiga, nos move. Muitas vezes as mesmas pessoas que reciclam seu lixo têm como aspiração máxima de felicidade adquirir um carro último tipo. Assim reduzimos os dejetos, mas perpetuamos a lógica das cidades reféns do automóvel com suas  dificuldades brutais e enormes emissões.
É preciso reciclar lixo sim, mas é ainda mais urgente reorientar a vida e o trabalho para a realização afetiva e não mais para o fluxo desenfreado de produção e consumo. Nossos princípios de gestão precisam superar paradigmas: empreender orientando-se pelo que faz sentido, não apenas pelo que gera capital; considerar os aprendizados tão ou mais importantes que os resultados; colaborar mais que competir, ouvir mais que afirmar.
São novas perspectivas cognitivas que naturalmente levam para a configuração de uma outra relação dos seres humanos entre si e com o planeta. Por este motivo, considero a Economia Criativa, ou como prefiro pensá-la, a Economia Complexa do Conhecimento, a melhor oportunidade que nós temos para salvar a espécie. Basicamente o que nossa metodologia propõe, é pensar o empreendimento criativo, cultural e social, como um processo vivo de aprendizagem individual e coletiva. Nosso princípio é que aprendemos porque precisamos aprender para obter algo que desejamos e porque colaboramos com outras pessoas.
Então o ponto de partida para nossa metodologia de análise, planejamento e gestão é a identificação desse desejo mobilizador original, que chamamos de Sentido do empreendedor, e que posteriormente é traduzido em Propósitos socioeconômicos e nos respectivos Métodos para atingir esses propósitos, gerando Aprendizados. São nossos quarto elementos metodológicos. Lidamos com estes elementos de forma interdisciplinar em contextos de colaboração que dão organicidade e sustentabilidade ao jeito de lidar com o empreendimento.  Em cada contexto colaborativo desvendamos as interações sociais necessárias para que o empreendimento cumpra seus propósitos."
Redes de colaboração/Redes de conhecimento
"As ideias de redes de conhecimento e colaboração são fundamentos para o tratamento dessas interações. Redes de conhecimento são conexões organizadas não hierárquicas onde há intercâmbio de informações, conhecimentos e experiências entre pessoas que atuam e pesquisam em áreas afins, complementares ou distintas, principalmente por meio da utilização de interfaces digitais e da Internet. 
As redes de colaboração, por sua vez, estritamente relacionadas às redes de conhecimento, são arranjos em que cooperam parceiros com sentidos, propósitos e competências diversas ou similares, compartilhando recursos. Além da geração de sinergias, a grande vantagem das redes é o enorme aprendizado social que promovem ao permitir que o conhecimento produzido a partir da ação de cada um dos empreendedores conectados seja disponibilizado para todos os demais."





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