28 de fev. de 2012

O Processo das Formigas



Grupo Casemiro Coco apresenta o espetáculo "O Processo das Formigas"



Na primeira metade do século XVIII, a sociedade maranhense deparou-se com um episódio, no mínimo, inusitado. É que os frades franciscanos do Convento de Santo Antonio moveram um processo jurídico contra as formigas que habitavam aquele espaço. Essa história ganha hoje, amanhã e quinta-feira, às 20h30, o palco do Teatro João do Vale (Praia Grande) com a peça O Processo das Formigas, encenada pelo grupo Casemiro Coco.

Com direção, concepção cênica, figurinos, cenografia e adereços assinados por Tácito Borralho, o espetáculo é baseado em documentos publicados pelo pesquisador Jomar Moraes no suplemento cultural Projeção (Sioge, 1981) e também em livro de José Eulálio Figueiredo (2001), que teve como base os mesmos documentos.

A peça, que foi contemplada na última edição do Edital Universal da Secretaria de Estado da Cultura (Secma), terá, além das sessões das 20h30, exibições destinadas às escolas públicas anteriormente selecionadas pelo órgão. Essas apresentações ocorrerão nos mesmos dias, mas, às 17h30. Todas as sessões destinadas às escolas já estão esgotadas.

A montagem é construída sobre a técnica ator-em-máscara, do teatro de animação. “A peça é resultado de um estudo sobre máscaras no Maranhão. Universal, ela é usada como objeto expressivo, lúdico e camuflagem, além de estar presente na cultura popular em todas as vertentes”, diz Borralho.

O projeto do espetáculo nasceu de oficinas de elaboração de textos, confecção de máscaras e estudos de atuação da animação realizadas pelo grupo Casemiro Coco. O grupo de extensão é ligado à Universidade Federal do Maranhão (UFMA), instituição da qual Boralho é professor no Departamento de Artes.

O Casemiro Coco faz estudo, pesquisa e produção em teatro de animação. Além de se dedicar às montagens, o grupo realiza estudos que buscam explorar temas de relevância para o teatro e a cultura em geral.

Peça –Com 10 atores no elenco, O Processo das Formigas narra uma história ocorrida em São Luís nos anos de 1712 a 1714, quando frades da Igreja Católica, ao verem seu convento ser atacado por formigas que dali levavam toda a farinha armazenada, resolveram processá-las por meio de um tribunal eclesiástico instalado a fim de julgar as saúvas pelo desacato à ordem estabelecida.

Por meio das peças, mesmo incompletas (tendo sido perdidas as partes inicial e final dos autos), pode-se ter ideia da demonstração de poder da Igreja. “Vamos apresentar o nível de discussão da época, quando a confusão entre o direito praticado nos tribunais eclesiásticos e nos tribunais civis eram confundidos”, diz Borralho.

Para contar essa história, além das máscaras, Borralho lança mão de linguagens do teatro popular a exemplo da commedia dell’arte (improviso) e do histrionismo (exagerado em gestos e emoções). “Quem for ao teatro vai se divertir, já que alguns momentos da peça são muito engraçados”, adianta o diretor.

Há alguns anos sem levar novos espetáculos aos palcos, Borralho se diz entusiasmado com o projeto. “Gostei muito do resultado final da montagem e acredito que este seja o primeiro espetáculo de máscaras do Maranhão”, observa. A intenção do grupo é, após essa curta temporada, voltar a encenar a peça.

Fazem parte do elenco da peça os atores e atrizes Raimundo Reis (Pe. Guardião); Maxlow Furtado (Escrivão Eclesiástico); Maciel Mourão (Primeiro Curador das Formigas); Zeca Rolland (Vigário Geral); Abel Lopes (Pe. Vigáreio Geral Forâneo); Diego Garcez, Cristian Ericeira, Bianca Marques e Vanessa Bastos (Testemunhas das Formigas); e Vanessa Costa (Testemunha dos Frades).

Fonte: O Estado do Maranhão


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