10 de mai. de 2012

Neiva Moreira






Morre Neiva Moreira. Ao visitá-lo, recentemente, em seu leito da uti, no UDI Hospital, deparei-me, em brevíssimos flashes, com os mais significativos momentos da história política do Maranhão e de nosso País,que pude testemunhar, a partir de meados do século passado aos nossos dias. E não só. Colhi,também , ali, detalhes de uma vida inteira - do menino da beira do Parnaíba, em Nova Iorque e,depois, em Barão de Grajaú/Floriano, ao jornalista e parlamentar inquieto e brilhante. Neiva, ou o "Moreirinha" para os mais antigos, foi o maranhense mais CIDADÃO DO MUNDO a ser registrado pela verdadeira História. O Jornal do Povo e Os Cadernos do Terceiro Mundo foram sua grande e revolucionária trincheira de luta polítca, no campo da comunicação. O primeiro, "contra a opressão e a injustiça social", aqui e fora do Maranhão. O outro, em favor dos povos oprimidos e mais pobres do mundo. Um e outro numa dimensão eminentemente libertária. Por isso, haver sido um dos primeiros atingidos, violentamente, pelo "golpe militar de 64", nos seus direitos políticos, pela cassação de seu mandato, pelos sentimentos humanos os mais fortes, no exílio, durante quinze anos. Nada disso, no entanto, o fez esquecer o Maranhão, sua gente, sua realidade, seus amigos e amigas. Ao retornar ao Brasil, em 1979, fez questão de mudar a rota tradicional a fim de pisar, o quanto antes, o solo brasileiro, no Maranhão, onde recebeu do povo de São Luís a mais consagradora homenagem já prestada a uma pessoa, do aeroporto à Praça Deodoro, com a presença de policiais nas esquinas por onde passaria o grande cortejo. Ainda era tempo de ditadura, sobretudo no Maranhão. Cheguei, de forma discreta, a perguntar a um dos policiais do que se tratava - a resposta veio imediata: " é um Neiva Moreira" que está chegando. O Brasil deve a Neiva Moreira a maior ousadia migratória ao presidir e se dedicar com afinco à mudança da capital federal do Rio de Janeiro para Brasília, atento aos mínimos detalhes e exigências do mais sofisticado ministro aos do mais simples servidor público. Sou testemunha ainda de que ninguém mais do que ele soube incentivar jovens vocacionados e vocacionadas para o jornalismo e para a atividade e militância partidária. Sabia buscar, no sentimento das pessoas, o seu talento para esse mister. Por tudo isso, minha homenagem a Neiva Moreira, marcada de uma profunda gratidão e um imenso respeito, que estendo aos seus familiares, na pessoa de Micaela, e aos seus fraternos amigos, na pessoa de Maria Lúcia e Reginaldo Teles.

====================================
====================================
BLOG DO KENARD

10 de maio de 2012 às 12h35min

Com a morte de Neiva Moreira desaparece 
uma forma de fazer oposição e política

Morreu na madrugada desta quinta-feira, 10, o ex-deputado federal Neiva Moreira, um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT). O ex-deputado, de 94 anos, estava internado desde o dia 31 de março, com infecção respiratória.
Neiva Moreira nasceu no município de Nova Iorque, no interior do Maranhão. Era jornalista e foi presidente nacional do PDT, líder na Câmara por duas vezes e presidente da Comissão de Relações Exteriores.
Deputado estadual pelo PSP (1951 a 1955) e federal, pelo mesmo partido, de 1955 a 1964, Neiva aderiu em 1979 à Carta de Lisboa – o documento oficial de fundação do partido idealizado por Leonel Brizola – e foi o responsável pela criação da legenda no Maranhão. Pelo PDT, Neiva foi deputado federal de 1993 a 1994, e de 1997 a 2007.
Oposição
Neiva Moreira foi um dos líderes das oposições na época de Vitorino Freire. Quando Sarney lançou-se candidato a governador (Neiva já estava fora do país), as oposições optaram por apoiá-lo. Não por acreditar em Sarney, mas por ser a oportunidade de acabar com o vitorinismo. Além do mais, pensavam ser mais fácil derrotar Sarney, que não tinha o lastro de Vitorino.
No exílio por causa da ditadura militar, Neiva Moreira criou os Cadernos do Terceiro Mundo. Revista voltada para a discussão da América Latina. Com a redemocratização do país, por meio do escritor e jornalista José Louzeiro, morando no Rio de Janeiro, tive a oportunidade de ter com Neiva Moreira. Ia trabalhar nos Cadernos, mas minha participação resumiu-se a uma única matéria. É que acompanhei Louzeiro em outra empreitada jornalística.
Leonel Brizola era governador do Rio e Sarney o presidente da República. Neiva Moreira trabalhou incessantemente para aproximar Brizola do governo Sarney.O fez por acreditar que o Governo Federal seria de grande importância para o Governo do Rio de Janeiro. Brizola negou-se até o fim a se aproximar de Sarney.
Acompanhei algumas das sessões de entrevistas de Louzeiro com Neiva Moreira para o livro biográfico O Pilão da Madrugada, se a memória não me falha. As entrevistas eram no apartamento de Louzeiro, que então morava em Laranjeiras. Eu era um jovem de 27, 28 anos.
A última vez que nos falamos, eu e Neiva, foi ainda no tempo do Diário da Manhã, que eu dirigia e do qual era um dos proprietários. Numa tarde, recebi um telefonema em minha sala. Era Neiva. Ligara para elogiar o projeto gráfico e a linha editorial do jornal. Disse-me que precisávamos almoçar para conversar. O almoço nunca aconteceu.
Neiva Moreira exerceu grande influência sobre Jackson Lago, o ex-governador pedetista, também já falecido. Com a morte de Neiva começa a desaparecer uma forma de fazer oposição e política no Maranhão.
============================================================

Vejam que texto lindo e significativo de João do Vale sobre Neiva Moreira, resgatado pelo querido amigo Wagner Cabral. Salve Neiva Moreira, a voz do povo! Salve a luta pela democracia e pela dignidade humana!

============================================================





Morre Neiva Moreira 


Do G1 MA
Neiva Moreira (Foto: O Estado)Ex-deputado Neiva Moreira morreu nesta terça-feira
(3), em São Luís, aos 95 anos (Foto: O Estado)
Morreu, às 2h45 desta quinta-feira  (10), o ex-deputado federal pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), no Maranhão, José Guimarães Neiva Moreira, de 94 anos. O ex-deputado estava internado no Hospital UDI, desde o dia 31 de março, com infecção respiratória. Neiva Moreira morreu de insuficiência respiratória.
Neiva Moreira nasceu no município de Nova Iorque, no interior do Maranhão. Era jornalista e foi presidente nacional do PDT, líder na Câmara por duas vezes e presidente da Comissão de Relações Exteriores.
O corpo do ex-deputado será velado na rua dos Afogados, no Centro de São Luís. O sepultamento será no Cemitério do Gavião, às 16h.
Sobre Neiva Moreira
O jornalista e publicista José de Guimarães Neiva Moreira nasceu em 10 de outubro de 1917, em Nova Iorque, município localizado a 496 quilômetros de São Luís, na região leste maranhense. Filho de Antonio de Neiva Moreira e Luzia Guimarães Moreira, ele é um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT).
Órfão de pai aos seis anos mudou-se com a família para Barão de Grajaú, onde fez o primário. Já em Floriano (PI) iniciou o curso ginasial, continuando-o no Liceu Piauiense, de Teresina, e no Liceu Maranhense, de São Luís.
Enquanto residiu em Barão de Grajaú, ajudou na subsistência familiar, vendendo bolos, remando canoas no rio Parnaíba e como cobrador da Associação dos Empregados do Comércio de Floriano, cidade onde integrou a redação do jornal estudantil A Luz.
Em 1932 mudou-se, com a mãe e os irmãos, para Flores (atual Timon). Em Teresina, ao mesmo tempo em que estudava, fundou e dirigiu, com Carlos Castelo Branco, o jornal A Mocidade.
Transferindo-se para São Luís, trabalhou no jornal Pacotilha. No início de 1942 Neiva Moreira viajou para o Rio de Janeiro, trabalhando como repórter free lancer, no Diário de Notícias, Diário da Noite, O Jornal e da revista O Cruzeiro, então o mais prestigioso semanário nacional, e ali fez brilhante carreira de repórter político, destacado para diversas missões no Brasil e no exterior. Ainda no Rio de Janeiro colaborou em A Vanguarda, O Semanário, e fundou O Panfleto.
Em abril de 1950 voltou a São Luís para fundar o Jornal do Povo, do qual se tornou proprietário em outubro de 1952. No jornal, tornou-se, desde a fundação, o maior porta-voz das oposições maranhenses, assim como conferiu a seu dirigente e principal redator a posição de mais importante líder político de São Luís. Nesse mesmo ano de 1950, foi eleito deputado estadual, com votação consagradora, notadamente do eleitorado da capital, iniciando uma carreira que lhe conferiu, a contar de 1954, três mandatos consecutivos de deputado federal. Por sua atuação em diversas comissões, na liderança da Minoria, na Frente Parlamentar Nacionalista e na Mesa da Câmara, Neiva Moreira projetou-se como um dos mais combativos e admirados parlamentares brasileiros. Desempenhou papel fundamental na transferência da Câmara dos Deputados para Brasília.
Atuação política
Ex-presidente nacional do PDT, Neiva Moreira já liderou a bancada do PDT na Câmara dos Deputados por duas vezes, além de ter sido presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa.
Ex-deputado estadual pelo antigo Partido Social Progressista (PSP) de 1951 a 1955, o maranhense é um dos políticos que mais tempo passou na Câmara Federal, tendo mandatos efetivos nas legislaturas de 1955-1959; 1959-1963 e 1963-1964 [todos pelo PSP]. Já pelo PDT, ele assumiu mandatos de 1993-1994 (Congresso Revisor); 1997-1999; 1999-2003 e de 2003-2007.
Licenciou-se do mandato de Deputado Federal, nas Legislaturas 1999-2003 e 2003-2007, para assumir o cargo de Secretário Extraordinário Municipal de Assuntos Políticos de São Luís. Assumiu, como Suplente, o mandato de Deputado Federal, na Legislatura 1991-1995, em virtude do licenciamento do Deputado José Carlos Sabóia. Assumiu e foi efetivado no mandato de Deputado Federal, na Legislatura 1995-1999, em 3 de janeiro de 1997.
No início de 1961 ele aproximou-se do ex-governador do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, Leonel Brizola, com quem passou a percorrer o país pregando as reformas de base do presidente João Goulart e articulando as chamadas forças nacionalistas.
Por sua atuação no Congresso, quando era um dos líderes da Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), teve seu mandato de deputado federal cassado em 9 de abril de 1964, através do Ato Institucional nº 1.
Moreira foi preso e depois obrigado a exilar-se na Bolívia, de onde depois se mudou para o Uruguai, para, novamente com Brizola, organizar a resistência à ditadura, que se prolongaria por 20 anos. Nesse período ele ajudou a organizar movimentos sociais em vários países da América Latina e África.
Nesse período ele ajudou a fundar a Cadernos do Terceiro Mundo, revista de cunho político e social, ao lado de jornalistas uruguaios e argentinos.
Com a implantação da Anistia, em 1979, Neiva Moreira retornou a São Luís, onde implantou o PDT, partido que Leonel Brizola fundara ao chegar do exílio. Depois foi para o Rio de Janeiro, onde refundou os Cadernos do Terceiro Mundo.
Além da trajetória política, foi fiscal da prefeitura de São Luís; redator do Instituto Brasileiro de Comunicação (IBC); Secretário de Comunicação Social do Rio de Janeiro (1983-1985); presidente do Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro (Bancoderj) de 1985-1986; e membro da Academia Maranhense de Letras, ocupando então a cadeira de número 16.
Neiva Moreira publicou, entre outros, estes livros: Fronteiras do mundo livre. Rio de Janeiro: Editora A Noite, 1949; O Exército e a crise brasileira. Montevidéu: 1968; Modelo peruano. Buenos Aires: La Linea, 1973 (este livro foi reeditado em diversos países, inclusive no Brasil – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975); Brasília, hora zero. Rio de Janeiro: Terceiro Mundo, 1988 (depoimento sobre a transferência da Capital Federal para Brasília, trabalho em que o autor exerceu decisivo papel).

Fonte:http://g1.globo.com/ma/maranhao/


Nenhum comentário:

Postar um comentário

LEIA, COMENTE, E DIVULGUE!